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Neoconstitucionalismo, Ativismo e Liberdade

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O chamado “neoconstitucionalismo” é, a bem da verdade, uma perversão do constitucionalismo. A vocação do constitucionalismo sempre foi, afinal, a limitação do poder, no pressuposto de que a dispersão e a contenção do poder político e, sobretudo, do seu exercício arbitrário, é indispensável para a estabilidade do regime, a prevalência do bem comum e a proteção da liberdade dos cidadãos. Mas o neoconstitucionalismo trai essa vocação porque concentra o poder no Judiciário e ainda legitima e induz uma certa manipulação judicial do direito que acaba por desencadear um processo de permanente reconfiguração da ordem, à revelia do povo e da própria Constituição. O objetivo desta coletânea de artigos acadêmicos é o de alertar para os perigos desta ideologia jurídica e do seu predomínio na prática judiciária brasileira.


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Autores: Fábio Cardoso Machado

O chamado “neoconstitucionalismo” é, a bem da verdade, uma perversão do constitucionalismo. A vocação do constitucionalismo sempre foi, afinal, a limitação do poder, no pressuposto de que a dispersão e a contenção do poder político e, sobretudo, do seu exercício arbitrário, é indispensável para a estabilidade do regime, a prevalência do bem comum e a proteção da liberdade dos cidadãos. Mas o neoconstitucionalismo trai essa vocação porque concentra o poder no Judiciário e ainda legitima e induz uma certa manipulação judicial do direito que acaba por desencadear um processo de permanente reconfiguração da ordem, à revelia do povo e da própria Constituição. O objetivo desta coletânea de artigos acadêmicos é o de alertar para os perigos desta ideologia jurídica e do seu predomínio na prática judiciária brasileira.

ORGANIZADOR

SOBRE OS AUTORES

APRESENTAÇÃO


CAPÍTULO 1

André Gonçalves Fernandes

STF: ATIVIDADE JUDICIAL COMO FILOSOFIA PRÁTICA?

Introdução

1 Teoria e praxis no positivismo normativista

2 Ciência e prudência do direito

3 O juiz e o labor hermenêutico

4 O direito como um saber prático e a atividade judicial

5 Discricionariedade judicial

6 O lugar da filosofia no direito

7 Telos e radicalidade da atividade judicial

8 Papel da lei e direito como processo interpretativo

9 Filosofia do direito e consciência judicial

Conclusão

Referências


CAPÍTULO 2

André Borges Uliano

O MITO DO CASO BROWN E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA O DEBATE SOBRE DESENHO INSTITUCIONAL

Introdução

1 As virtudes da política e a limitada eficácia da jurisdição constitucional para promover mudanças sociais: evidências do caso Brown

2 O pedigree originalista da decisão do caso Brown

3 A história contra-ataca: como uma suprema corte ativista promoveu o racismo nos Estados Unidos

3.1 Da Independência à Guerra Civil

3.2 Da reconstrução ao movimento dos direitos civis da década de 1960

Conclusão


CAPÍTULO 3

César Maximiano Duarte

ATIVISMO JUDICIAL: DA DERROTABILIDADE DA NORMA JURÍDICA AO SEU SEPULTAMENTO

Introdução

1 As origens aristotélicas da derrotabilidade

2 O conceito hartiano de defeasibility

3 O (jus)nominalismo

4 A recepção da defeasibility hartiana pelo (jus)nominalismo

5 A (i)legitimidade democrática do ativismo judicial

Conclusão

Referências


CAPÍTULO 4

Leandro Cordioli

O JUIZ PODE JULGAR A LEI? O JULGAMENTO POR EQUIDADE SERIA ATIVISMO JUDICIAL?

Introdução

1 Três conceitos de equidade

2 O que é equidade

3 Quem julga por equidade julga a lei?

Conclusão

Referências


CAPÍTULO 5

Luciano Medeiros de Andrade Bicalho

OS JUÍZES ESTÃO ACIMA DA LEI?

Introdução

1 Definindo ativismo judicial

2 A “crise” da lei

3 A lei no estado legal de direito (séculos XVIII e XIX)

4 A lei no estado constitucional de direito (século XX)

5 As barreiras ao ativismo judicial

5.1 A soberania popular

5.2 A separação dos poderes do Estado

5.3 A garantia dos direitos fundamentais

5.4 Princípio da legalidade

6 Interpretação e aplicação do direito

Conclusão

Referências


CAPÍTULO 6

Pedro da Silva Moreira

O QUE SIGNIFICA PROMOVER UM DIREITO HUMANO? A ILIMITADA PEDAGOGIA DA DEFENSORIA PÚBLICA

Introdução

1 A educação para os direitos: a pedagogia da defensoria pública

1.1 A Defensoria Pública como promotora de Direitos: o mapa normativo

1.2 Dois sentidos para a educação em direitos: entre a informação e o engajamento

2 A política, os direitos e as instituições de estado

2.1 A controvérsia e a contestabilidade dos direitos humanos

2.2 Em busca do domínio do imparcial: o lugar das instituições de Estado

Conclusão

Referências


CAPÍTULO 7

Rodrigo Otávio Bastos Silva Raposo

SUPREMO, MESMO EM FACE DA SOBERANIA DE OUTROS ESTADOS: IMUNIDADE JURISDICIONAL DO ESTADO ESTRANGEIRO EM FORO BRASILEIRO POR VIOLAÇÕES AOS DIREITOS HUMANOS

Introdução

1 Ponto focal: o caso Jurisdictional Immunities

2 O caso Simoncioni

3 O caso Changri-lá

Conclusão

Referências


CAPÍTULO 8

Saul Ferreira Alves

PRECEDENTES E LEGISLAÇÃO JUDICIAL

Introdução

1 Estado de direito, legislação e jurisdição

2 O poder jurisdicional como a proteção do nomos contra os excessos da thesis

3 Enunciados judiciais (súmulas e teses): precedentes ou legislação?

Conclusão


ISBN 978-65-5113-311-4
Dimensões 23 x 15.5 x 1
Tipo do Livro Impresso
Páginas 220
Edição 1
Idioma Português
Editora Editora Thoth
Publicação setembro/2025
  1. Fábio Cardoso Machado
    Doutor em Ciências Jurídico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra. Mestre em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Professor da Escola de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Sócio de Andrade Maia Advogados.

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